Bastidores da Política: O jogo que ninguém vê
Na política baiana — esse teatro de máscaras onde vaidades dançam com pragmatismo a passagem de Luiz Inácio Lula da Silva pela Bahia teve algo de bombeiro em noite de incêndio. Não veio apagar o fogo, mas evitar que o prédio desabasse.
Entre Rui Costa,
com sua irritação mal disfarçada, e o vice que ele claramente não engole, Geraldo Júnior, Lula fez o que sabe: costurou o
impossível com a linha frouxa da realidade. Rui, ferido e com razão política,
diga-se viu-se obrigado a aceitar o indigesto. Chamou o adversário interno de
“bajulador de baixo nível”. E talvez tenha sido elegante.
Mas Lula, com aquele seu pragmatismo quase
cínico de sobrevivente, mostrou o óbvio: não há fila para o sacrifício. Quinze
recusas. Quinze! A política, que já foi vocação, hoje é cálculo de risco.
Já Bruno Reis
recebeu um convite que beira o surrealismo tropical: ser vice de Flávio Bolsonaro. Recusou. Não por ideologia —
isso anda escasso — mas por estratégia. Há amizades que pesam mais que
ambições. Ou, ao menos, parecem pesar.
E Jaques Wagner?
Ah, Wagner… segue como o maestro invisível. Porque no fim, como bem percebe Rui
mesmo sem dizer, não é sobre quem aparece. É sobre quem manda. A política
baiana continua sendo esse romance denso, onde ninguém é inocente e todos
fingem surpresa.






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