terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Otto Alencar rompe o silêncio e expõe a encruzilhada da coalizão governista na Bahia

 



 

A política baiana entrou, ontem, em uma de suas fases mais delicadas desde a consolidação da hegemonia petista no Estado. Em reunião com a bancada federal do PSD, o senador Otto Alencar rompeu um silêncio estratégico e, pela primeira vez, admitiu publicamente a possibilidade de disputar o governo da Bahia em 2026 — não por ambição pessoal, mas como resposta direta ao movimento de exclusão do senador Ângelo Coronel da chapa majoritária governista.

 

A fala de Otto não foi casual nem retórica. Ela revela uma fratura real na base aliada e expõe os limites do projeto de poder do PT, que tenta impor à coalizão uma lógica de soma zero: reservar as duas vagas ao Senado para Jaques Wagner e Rui Costa, ignorando o peso eleitoral, institucional e simbólico do PSD e de Ângelo Coronel.

 

Ao afirmar que Coronel é candidato natural à reeleição e que não pode ser retirado da chapa por capricho, Otto vocalizou aquilo que, nos bastidores, já se tornou consenso entre aliados: não há coalizão sem equilíbrio. A tentativa do PT de monopolizar o Senado rompe o pacto político informal que sustenta a governabilidade estadual há quase duas décadas.

 

Otto deixou claro que não seguirá Coronel caso ele opte por migrar para a oposição e compor com ACM Neto. Trata-se de um limite político e estratégico. Ainda assim, o senador reafirmou que bancará o nome de Coronel junto ao PT enquanto houver disposição para a permanência no grupo governista.

 

Mais do que uma ameaça, a sinalização de Otto de assumir uma candidatura ao governo representa uma mensagem direta ao PT. Caso não haja espaço para Coronel na disputa ao Senado, o PSD pode oferecer um caminho alternativo, inclusive liderando a chapa majoritária. Nesse desenho, Coronel surgiria como candidato ao Senado, preservando o capital político do grupo e garantindo um palanque competitivo.

 

A declaração de que está pronto para concorrer, caso esse seja o desejo da bancada, não é gesto de vaidade pessoal, mas um instrumento clássico de barganha em sistemas de coalizão. O aplauso recebido no encontro funcionou como chancela política e conferiu legitimidade a Otto para tensionar a relação com o partido que hoje lidera o governo estadual.

 

O episódio escancara um dilema central da política baiana contemporânea: o PT precisa decidir se continuará liderando uma coalizão ampla ou se passará a operar como um partido hegemônico que impõe sua vontade aos aliados. A experiência recente demonstra que alianças desfeitas raramente se recompõem sem custos elevados.

 

Em 2026, mais do que nomes, estará em disputa o modelo de poder que sustentará a Bahia nos próximos anos. Ao colocar seu nome na mesa, Otto Alencar deixou claro que o PSD não aceitará o papel de coadjuvante em um projeto que ajudou a construir.

 

Luiz Pedro Jr.

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