terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Republicanos cobra vaga na chapa de ACM Neto

 


O discurso do deputado federal e bispo Márcio Marinho, presidente regional do Republicanos, revela mais do que uma reivindicação por espaço: expõe a disputa silenciosa que começa a se intensificar no campo das oposições na Bahia. Ao afirmar que o partido espera integrar a chapa majoritária liderada por ACM Neto “por uma questão de justiça”, Marinho sinaliza que a lealdade política e a construção de longo prazo devem pesar mais do que os movimentos de última hora motivados por cálculo eleitoral.

 

O Republicanos se coloca como aliado histórico do grupo, lembrando que esteve ao lado de Neto tanto na política quanto na gestão, inclusive indicando a vice na eleição de 2022. Esse argumento busca criar um marco moral na negociação: quem caminhou desde o início não pode ser descartado diante da chegada de novos atores com maior densidade eleitoral, como o senador Angelo Coronel, recém-aproximado do bloco oposicionista.

 

A entrada de Coronel, reconhecida por Marinho como “importantíssima”, reconfigura o tabuleiro e obriga uma redistribuição de forças, sobretudo na disputa pelas vagas ao Senado. Ainda assim, o Republicanos deixa claro que não aceita ser empurrado para fora da chapa. Ao defender uma das vagas senatoriais, com os nomes de Márcio Marinho e Marcelo Nilo, o partido eleva o tom e transforma a conversa política em um teste de coesão do projeto oposicionista.

 

Outro ponto sensível do discurso é o recado direto aos possíveis novos filiados. Ao dizer que “quem chega agora não pode sentar na janela”, Marinho estabelece uma linha clara entre construção política e oportunismo eleitoral, reforçando o papel da executiva estadual como guardiã do projeto e das prioridades internas.

 

No pano de fundo, a ausência de uma conversa objetiva com ACM Neto sobre a formação da chapa mostra que as definições ainda estão em aberto e que o campo oposicionista vive um momento de acomodação delicada. Enquanto Angelo Coronel avalia seu futuro partidário e o apoio formal ao projeto, o Republicanos se movimenta para não perder protagonismo, deixando claro que a unidade só se sustenta se houver reconhecimento político e espaço real na disputa majoritária.

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