sexta-feira, 10 de abril de 2026

Bastidores da Política: O jogo que ninguém vê

 


Na política baiana — esse teatro de máscaras onde vaidades dançam com pragmatismo a passagem de Luiz Inácio Lula da Silva pela Bahia teve algo de bombeiro em noite de incêndio. Não veio apagar o fogo, mas evitar que o prédio desabasse.

Entre Rui Costa, com sua irritação mal disfarçada, e o vice que ele claramente não engole, Geraldo Júnior, Lula fez o que sabe: costurou o impossível com a linha frouxa da realidade. Rui, ferido e com razão política, diga-se viu-se obrigado a aceitar o indigesto. Chamou o adversário interno de “bajulador de baixo nível”. E talvez tenha sido elegante.

Mas Lula, com aquele seu pragmatismo quase cínico de sobrevivente, mostrou o óbvio: não há fila para o sacrifício. Quinze recusas. Quinze! A política, que já foi vocação, hoje é cálculo de risco.

Bruno Reis recebeu um convite que beira o surrealismo tropical: ser vice de Flávio Bolsonaro. Recusou. Não por ideologia — isso anda escasso — mas por estratégia. Há amizades que pesam mais que ambições. Ou, ao menos, parecem pesar.

E Jaques Wagner? Ah, Wagner… segue como o maestro invisível. Porque no fim, como bem percebe Rui mesmo sem dizer, não é sobre quem aparece. É sobre quem manda. A política baiana continua sendo esse romance denso, onde ninguém é inocente e todos fingem surpresa.

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